28 setembro 2006

Sinais dos tempos

















O futebol moderno que temos, não só em Portugal mas um pouco por todo o mundo, representa uma involução em muitos aspectos que dele fizeram o desporto mais universal alguma vez praticado. Num mundo em constante evolução, é um pouco contraditório verificar que o futebol está cada vez mais envolto em polémicas e em corrupção, sendo a nossa Liga fértil em exemplos, já que quase não há jornada em que as arbitragens não suscitem acesas discussões e suspeitas. Também o já muito falado caso Mateus promete continuar na ordem do dia, assim como o caso Apito Dourado em que recentemente foram reabertas as investigações. Lá fora o panorama não é muito melhor com o Calcio Caos a comprovar que a corrupção no futebol de facto existe e a grande escala. Até a própria FIFA vai enchendo os bolsos dos seus dirigentes à custa dos patrocinadores, aos quais interessa ter os países mais ricos em competição (podem ver a investigação a este caso por aqui e ler mais sobre o assunto por aqui). Com tudo isto, está em causa a verdade desportiva e se o dinheiro faz girar o mundo então são os adeptos a fazer girar o mundo do futebol, já que sem adeptos não haveria receitas de bilheteira, de merchandising, de direitos televisivos, de patrocínios ou de publicidade. Apesar disso os verdadeiros adeptos continuam a ser afastados dos estádios pelo preço dos bilhetes e pelas horas tardias a que são realizados os jogos.
Onde se tem verificado uma clara evolução no futebol é nas condições dos recintos desportivos. Por cá, aproveitando a boleia do Euro 2004, foram construidos ou remodelados 10 estádios o que foi sem dúvida algo positivo para os adeptos, embora no caso de 3 deles tenha sido um desperdício de dinheiro. De facto, os estádios do Algarve, de Leiria e de Aveiro já provaram não ser economicamente viáveis pelo que são os elefantes brancos das respectivas regiões. Depois, para acompanhar as condições proporcionadas por esses estádios, também outros clubes têm apostado nos últimos anos em melhorar as suas infra-estruturas desportivas. Nos outros países, os projectos que existem para novos estádios são fantásticos e merecem ser vistos, o que podem fazer por aqui.
Mas um novo sinal dos tempos surgiu esta jornada de Liga dos Campeões com a utilização inédita de um relvado sintético num jogo das competições europeias. No Estádio Luzhniki do Spartak de Moscovo (na foto) a relva sintética foi pela primeira vez autorizada pela UEFA e já em 2008 há a possibilidade de todos os jogos do Europeu a realizar na Áustria e na Suiça serem realizados num relvado artifical. A intenção é proporcionar a todas as equipas um terreno idêntico, sem relva em mau estado ou com buracos. Provavelmente o jogo tornar-se-à mais prevísivel dado que a bola deixa de sofrer aqueles desvios estranhos ao tocar num buraco ou num pedaço de relva mais levantado mas torna-se também mais rápido uma vez que com este tipo de relva a bola ganha mais velocidade. Como se pode ver por aqui, há empresas empenhadas no desenvolvimento deste tipo de relvados por isso será uma questão de tempo até o cheiro da relva desaparecer dos nossos estádios. O futebol sem dúvida que se vai descaracterizando e contra isso parece não haver nada a fazer mas fossem todos os jogos ao domingo à tarde e os preços acessíveis e já tudo o resto pareceriam pormenores.

ULTRAS CONTRA O FUTEBOL MODERNO!

10 comentários:

Anónimo disse...

Reparem no novo estádio da Juventus, a Juventus Arena. Apesar de só ter 40 mil lugares, em termos acústicos deve ser fenomenal, ao estilo do Bessa.

Anónimo disse...

Excelente artigo! Concordo a 100% com o q aqui é escrito. Por muitas artimanhas publicitárias q se façam, bem como campanhas, promoções etc etc, quem no final deve ter a última palavra são justamente os ADEPTOS. Parece q de há uns anos a esta parte os clubes/sad's começaram a demonstrar falta de respeito pelos seus associados e adeptos. Hj em dia tentam criar tantas coisas a bem do "espectáculo" q se esquecem do primordial: as pessoas q fazem girar toda esta indústria e q agora se vêem relegadas à importância de um código de barras.
Os estádios do Algarve, Aveiro e Leiria apesar de serem muito bons e funcionais foram péssimos investimentos q custam aos contribuintes milhões de €€ anualmente. Sou de Leiria e sócio da UDL e é confrangedor ver aquele estádio constantemente às moscas. Gastou-se tanto dinheiro ali e há aldeias na zona de Leiria q ainda n têm saneamento básico. é triste mas é o país q temos.

Anónimo disse...

"Os ultras contra o futebol moderno..."
Curiosamente, são os mesmos que clamam contra o conservadorismo de quem, como eu, acha a Académica um clube diferente e com uma identidade singular que remete para uma intrínseca ligação à universidade e à condição de atletas estudantes (tendo acesso à Real Madrid Tv, constatei que o clube realizou uma pareceria com uma Universidade privada, permitindo o ingresso dos seus futebolistas profissionais, no sentido da valorização humana).Como diz o Presidente que vocês(Mancha), elegeram a troco de cargos remunerados para alguns dos vossos capatazes, "acabou a época do FRA!".
Pena é que essa sigla signifique Frontalidade, Rigor e Academismo...
"Os ultras contra o Futebol Moderno"...
O mesmo futebol moderno que dá emprego a alguns deles...

Anónimo disse...

Caro amigo anónimo a verdade é que a mancha não votou no geral, cada sócio votou individualmente e de acordo com a sua vontade, como provavelmente todos os restantes socios da AAC-oaf.
Parece-me que o teu comentário devia ser mais sobre o artigo que foi publicado, deixando de lado todas as acusações que queiras fazer de titulo pessoal.

Bruno Almeida

Anónimo disse...

Anónimo das 09.09h do dia 01 de Outubro.
Só alguns apontamentos ao que escreveste.
1.O que é o conservadorismo que referes, do qual "os ultras contra o futebol moderno são contra"? Como não consigo perceber as tuas insinuações onde misturas " o Presidente"(Engº Simões?)"que vocês(Mancha) elegeram" (eu sou sócio da Mancha e fiz parte da lista do Dr. Maló de Abreu, assim como outrs elementos da claque)"a troco de cargos remunerados para alguns dos vossos capatazes"(não entendo o que queres dizer com capataz?), tenho alguma dificuldade em esclarecer-te. Fico a aguardar que me esclareças este ponto.

2.Para ti achas mal que se diga acabou a época do FRA. Pois se FRA significa Falsidades, Rasteirices e Adormecimento,....eu espero bem que esta época tenha acabado.

3. Como vês o FRA dá para muita coisa.....

4. Vais ter que explicar melhor o que queres dizer quando afirmas que "o mesmo futebol moderno que dá emprego a alguns deles..."? Estavas a pensar em alguém em particular? Se sim tens que identificar para se saber se é mesmo um emprego ou não?

5. Gostei da parte do protocolo do Real Madrid com uma Universidade Privada. Pode ser que a Universidade de Coimbra aprenda alguma coisa com isso e deixe de ser tão autista relativamente à AAC/OAF quanto o é hoje em dia.

Um abraço para todos

Anónimo disse...

Uma pergunta:

Será que a Mancha está de mãos de tal maneira atadas que não possa criticar esta Direcção, quando assim, o achar conveniente?

Anónimo disse...

Se realmente é isso que queres fazer és livre para tal, mas é preferivel que o faças de maneira mais directa, e nao deixando duvidas no ar e envolvendo a mancha nesse campo.

VR disse...

Como é sabido, a Mancha não elegeu presidente nenhum nem contribuiu para tal. Apenas se verificou que alguns dos seus elementos integraram ambas as listas concorrentes às últimas eleições, o que naturalmente se explica pelo peso da MN conquistado ao longo de muitos anos de dedicação e ao facto de todos os seus sócios serem também sócios da AAC-OAF. A lista eleita será avaliada nas próximas eleições, onde todos os sócios poderão manisfestar através do seu voto a concordância ou discordância com as opções tomadas. É assim que funciona uma Instituição democrática.
Claro que todos gostaríamos de ter um plantel constituído só por jogadores estudantes, que entrassem em campo de capa aos ombros e que ganhassem jogos para nos irmos mantendo na primeira liga ou talvez atingir os lugares europeus mas temos que ser realistas e pragmáticos. Hoje em dia, a competitividade exige dedicação a tempo inteiro, seja ao futebol, aos estudos ou a uma profissão. Resta-nos a nostalgia.

Anónimo disse...

Gostaria, caro VR, que nos demonstrasse com resultados, o aumento de competitividade da Briosa com a aposta em mercenários que ganham muito e jogam pouco.É que se os últimos 5 anos servirem de referência, estamos conversados.
Então esta actual equipa e o seu treinador (a ganhar 5 mil contos mensais), PROFISSIONAIS A TEMPO INTEIRO, são um sucesso competitivo!
Também gostava que mostrasse, com resultados, que uma equipa de estudantes sejam portugueses ou estrageiros não foi competitiva e quando é que essa aposta foi feita!É na história do clube nos últimos 20 anos, eu não me lembro!
Não é verdade que o JES ganhou as eleições devido aos votos na terceira mesa (de sócios recentes)?é que nas outras duas mesas, o resultado foi equilibrado!Assim sendo, a Mancha foi decisiva!
Não existem dois directores da Académica que exerciam cargos na claque antes das eleições?Esses cargos têm algum tipo de remuneração ou subvenção?tEles têm outro emprego?Que fazem?
Desculpem as questões, mas alguns destes pontos devem ser esclarecidos para evitar que muita gente, a coberto do anonimato, tente denegrir a imagem (neste momento, não muito boa!) da Mancha Negra.Um abraço!

VR disse...

Talvez não me tenha feito entender bem. NÃO estou contra a integração de estudantes no plantel profissional, bem pelo contrário. É algo de bastante positivo que devemos tentar manter mas, por outro lado, reconheço que uma equipa composta EXCLUSIVAMENTE por estudantes não seria viável para uma primeira liga. Basta ver que a equipa da secção de futebol da AAC, composta por estudantes e licenciados da UC, está actualmente a competir na 1ª Divisão de Honra da Associação de Futebol de Coimbra. Claro que se pudermos ir buscar os bons jogadores estudantes e torná-los profissionais tanto melhor mas infelizmente penso que nunca serão em número suficiente para formar um plantel competitivo.
Quanto aos directores da Académica provenientes da Mancha Negra, podem ter tido a sua influência no sentido de voto dos sócios da Mancha mas isso é como em tudo na vida, como por exemplo na política. A lista concorrente provavelmente também integrou elementos da Mancha com esse intuito. Agora as pessoas visadas, bem ou mal estão a fazer o seu trabalho e são avaliadas pelo Presidente JES e em última instância serão avaliadas pelos sócios nas próximas eleições. No que de certeza não têm culpa é que outras pessoas sejam influenciáveis e não tenham a capacidade de pensar por si próprias e de, com base nisso, decidir o seu sentido de voto. Só para dar um exemplo, algo que até me parece positivo é que todos os grupos organizados de adeptos que existem (ou venham a existir) têm as mesmas condições de acesso ao estádio que a Mancha. Se essas tais pessoas quisessem a todo o custo privilegiar a Mancha, acho que não teriam concordado com essa medida.
Cumprimentos,
Vasco Ramos