24 dezembro 2006

Divagações de Natal

Sábado à noite, véspera da noite de natal, muito frio lá fora, lareira acesa e um concerto do grande Tony Carreira na televisão. Tudo reunido portanto para uns bons momentos de nostalgia. Dizia o grande Tony, agradecendo às suas muitas fãs, que era dos poucos artistas a ter o privilégio de pisar aquele palco (do Pavilhão Atlântico) e realmente poucos há a consegui-lo. Além disso, o ambiente intimista com o público maioritariamente feminino e de várias faixas etárias é a melhor prova de reconhecimento do seu trabalho. Isto para dizer que, tal como o futebol, a música é um fenómeno de massas e o futuro será de quem melhor souber cultivar essa paixão. Por exemplo, neste caso a relação próxima que se cria entre o próprio Tony Carreira e as suas inúmeras fãs leva a que essa ligação seja cada vez mais forte e duradoura. Fazendo a transposição para o futebol, o espírito de grupo seria tanto mais forte quanto maior fosse a proximidade com os adeptos. Infelizmente, hoje em dia a maioria dos jogadores serve-se das respectivas equipas única e exclusivamente para se promoverem e assim conseguirem dar o salto para outras equipas que lhes paguem melhor. Esquecida fica sempre a relação com os adeptos que, com esta mudança de mentalidades, tiveram que se adaptar à nova realidade, passando a apoiar cegamente apenas a camisola e a ignorar a pessoa, a sua personalidade e os seus valores. Pode ser que a anunciada limitação de ordenados dos jogadores ajude a recuperar esse tal amor pela camisola de outros tempos mas será difícil dado que essa limitação estará sempre relacionada com as receitas do clube.
Na nossa Académica, é recorrente os jogadores virem dizer que gostam muito das pessoas com quem trabalham, da cidade e dos adeptos mas quando chega a hora de fazer opções é o dinheiro que fala mais alto. Será assim tão utópico ter uma equipa com jogadores que joguem por amor à camisola e não apenas à sua conta bancária? A resposta a esta questão leva a uma solução talvez ingénua mas apaixonada: apostar na formação! Uma formação que transmita valores e princípios. Uma formação centrada no orgulho em pertencer a esta Instituição. Uma formação completa! Se um jogador, antes de o ser, tiver competências para ter outras opções para seguir a sua vida, não embarcará tão facilmente em aventuras que obrigam a mudar toda a sua vida e da sua família e acaba por se entregar mais ao símbolo que representa. Se por outro lado, não tiver outro modo de vida além do futebol, vai preferir correr o risco e aventurar-se noutros meios com o objectivo de conseguir uma base de vida nos poucos anos em que pode jogar futebol ao mais alto nível. Apesar de isto não ser novidade para ninguém, a maioria dos clubes prefere apostar numa formação centrada unicamente na vertente do futebol, tendo como único objectivo tirar dividendos dos jogadores formados, vendendo-os a outros clubes. Ou seja, são os próprios dirigentes a corromper as mentalidades dos jovens jogadores que assim aprendem desde cedo que é o dinheiro que faz girar o mundo do futebol. Ao comum adepto resta apoiar o símbolo do seu coração e ir aplaudindo sempre que os jogadores vêm agradecer o apoio, que é o mínimo que podem e devem fazer.
Em Janeiro voltamos ao calor da bancada no apoio à Mágica Briosa. Até lá, votos de muito calor humano e de Boas Festas a todos os sócios e amigos da Mancha Negra e a todos os sócios e simpatizantes da Académica.

1 comentário:

Anónimo disse...

deviamos criar um movimento civico a favor de uma estatua ao grande tony:))).Bom ano para este grande e bom blog, n parem de colocar noticias.