02 novembro 2006

Uma questão de cultura

















Os grupos organizados de adeptos em Portugal são marcadamente de influência italiana mas às vezes é bom ver outros bons exemplos para reflectir um pouco na nossa realidade. Os adeptos do Celtic, clube fundado em 1888, deslocaram-se em grande número a Lisboa para dar o seu apoio no jogo no Estádio da Luz. Estima-se que seriam cerca de 10 mil, um número que, exagerado ou não, demonstra bem a paixão destes escoceses pelas suas cores. Mas mais que o número ficam as atitudes, tais como trazer uma mensagem escrita em português a recordar Miklós Féher, o jogador húngaro que em 25 de Janeiro de 2004 faleceu em pleno relvado do Estádio D. Afonso Henriques, para a entregar no final do jogo aos adeptos do Benfica como forma de homenagem. Outra motivação para a vinda a Lisboa foi a de pisar o relvado do Estádio do Jamor, onde em 1967 o Celtic venceu por 2-1 a então Taça dos Campeões Europeus frente ao Inter de Milão. Nesse ano, a equipa que ficou conhecida por "Lisbon Lions" ganhou todas as competições que disputou e actualmente a bancada leste do seu estádio, o Celtic Park, tem também o nome "Lisbon Lions". Voltando aos adeptos, são conhecidos por "Tims", um nome resultante da união de grupos católicos intitulados "Tim Malloys" de Calton, uma das zonas de Glasgow. A religião está aliás, a par da política, muito presente tanto no futebol como em toda a sociedade escocesa. Os adeptos do Glasgow Rangers, grande rival do Celtic, são essencialmente protestantes enquanto que os do Celtic são católicos. Este tipo de ligações não são obviamente desejáveis mas neste caso nem parece que existem tal é o fervor com que apoiam a sua equipa. É disso exemplo o facto de, nos últimos minutos de um jogo muito desfavorável em termos de resultado, terem cantado o seu hino com o mesmo sentimento e grande dedicação com que o fazem sempre. Mesmo depois do final do jogo, já sozinhos nas bancadas da Luz, continuavam alegremente a cantar, o que foi inclusivamente registado pelos repórteres de rádio.

30 outubro 2006

Leiria - Mágica Briosa



















A foto não é obviamente deste jogo mas era aquela bancada que nos dava sorte já que neste estádio os resultados da nossa Briosa foram muito positivos nos últimos anos. Desta vez, na bancada central vimos melhor o jogo mas antes vê-lo mal e ganhar do que ver bem e assistir a uma derrota. A Académica até entrou bem no jogo, como tem sido hábito, e criou algumas jogadas de perigo, resultando de uma delas uma bola no poste, mas a partir do golo do Leiria o ímpeto inicial foi-se desvanecendo e o final do jogo chegou sem que o futebol jogado fosse suficiente para sequer empatar. A Mancha ao longo do jogo foi dando o seu apoio e tentando incentivar os restantes adeptos a puxar por ela mas o que se via no relvado não fazia ninguém acreditar. Assim, venha o Estrela que bem precisamos de pontos antes de ir ao Dragão.

23 outubro 2006

As próximas deslocações



















Analisando o calendário da nossa Briosa podemos ver que até ao final da primeira volta (e até ao Natal) temos somente mais 4 viagens: Leiria, Dragão, Braga e Alvalade. Todas as deslocações são importantes e os verdadeiros adeptos vão a todas com igual interesse mas habitualmente estas são das mais participadas e por isso é de esperar uma boa mobilização para estes jogos, apesar de esta época termos menos gente a ir fora. De qualquer maneira, independentemente do número temos que espalhar esta fé (como diz um cântico recente) e apoiar com muita atitude para que se transmita toda a nossa força para o relvado e os nossos rapazes sintam em campo ainda mais empenho e determinação. Já sabem que qualquer contacto pode ser feito através do mail info@mn85polo2.com por isso usem-no para reserva de bilhetes e inscrição nas viagens.

22 outubro 2006

Mágica Briosa - Desportivo das Aves



















Finalmente! Ao 7º jogo aí está a nossa primeira vitória, obtida debaixo de chuva e com pouco público nas bancadas. Mais uma vez a nossa Briosa entrou bem no jogo e conseguiu ganhar vantagem logo aos 4 minutos mas desta vez, apresentando solidez a meio campo, não perdeu o controlo e conseguiu ampliar e segurar a vantagem até ao final. É interessante verificar que, à excepção do primeiro jogo da época em Setúbal, temos marcado sempre um golo nas primeiras partes dos jogos e normalmente logo nos primeiros minutos. Marcámos ao Belenenses aos 11 minutos, ao Nacional aos 10 minutos e ao Aves aos 4 minutos o que é um indicador de que tentamos resolver os jogos cedo. Também em todos os jogos à excepção do primeiro, conseguimos estar em vantagem no marcador por isso temos razões para acreditar que, com mais algum entrosamento, vamos acabar por fazer uma boa época mas é preciso não esquecer que temos que apoiar com muita força para os resultados irem aparecendo.
Voltando ao jogo, na bancada parecia um jogo fora com pouca gente e todos juntos em cima para não apanhar chuva. Parecia mas não era e a prova disso foi o apoio dado que não foi constante como nos jogos fora. Talvez o tempo estivesse a desmotivar muita gente para cantar, tal como desmotivou outros a vir ao estádio. Apesar disso, pegou bem mais um cântico novo e quem quis cantar e apoiar acabou por fazer a festa. Nota bastante positiva para a Força Avense que esteve todo o jogo na parte de baixo da bancada à chuva com o pessoal todo junto e sempre a apoiar a sua equipa. Sem dúvida um exemplo de união.

18 outubro 2006

O estilo Casual























A origem do estilo conhecido como "casual" remonta ao final da década de 70 e caracteriza-se basicamente pelo uso de roupa cara de estilo europeu. O seu aparecimento deu-se em Inglaterra quando os adeptos das equipas inglesas, nomeadamente do Liverpool e do Everton, regressavam de viagens à Europa continental, onde iam apoiar os seus clubes em jogos das competições europeias, usando roupas italianas e francesas, frequentemente roubadas durante tumultos que os próprios tinham por hábito provocar.
Inicialmente muitos hooligans e membros de firmas usavam estas roupas com o objectivo de passarem despercebidos e assim não chamarem a atenção da polícia e se conseguirem infiltrar em grupos rivais ou conseguirem entrar em pubs onde normalmente não entrariam usando as cores da sua equipa. Nesta época, a polícia controlava apenas os adeptos skinheads que usassem botas Doc Martens por isso adeptos com outro estilo conseguiam movimentar-se com discrição. Já na década de 80, o estilo chegou a mudar quase semanalmente por ter passado a ter um enorme impacto na moda mais jovem e atingiu mesmo o pico nos últimos anos desta década, altura em que se pensou que a violência estaria erradicada desta cultura. A meio da década de 90, muitos adeptos adoptaram o estilo casual como forma de se distinguirem dos demais adeptos do seu clube. As marcas mais famosas no meio eram a Stone Island, a Aquascutum e a Burberry e as mais clássicas Lacoste e Paul and Shark. No final da década, muitos casuais optaram por uma nova mudança de marcas mais uma vez com o objectivo de se demarcarem dos demais. Actualmente, o estilo casual voltou a ganhar popularidade em parte devido à música britânica dado que em alguns videoclips os seus autores adoptaram o estilo e também devido aos filmes mais recentes sobre a cultura do futebol. Pensa-se que a marca casual mais famosa dos últimos anos seja a Stone Island.
No caso concreto da Mancha Negra, há vários elementos a adoptar este estilo, assim como em (quase) todos os outros grupos nacionais. Sobre este tema podem (e devem) ler este texto presente no Blog da VG e da autoria do JP. Podem ainda ler este artigo que apresenta a evolução do estilo em maior detalhe.

As Firmas

Uma "firma" pode definir-se como sendo um grupo organizado que apoia um determinado clube de futebol (ou de qualquer outro desporto) e que habitualmente se envolve em rixas com outros grupos idênticos. Na maioria dos casos, aos olhos da opinião pública, toda e qualquer violência no desporto é considerada como hooliganismo mas é importante notar que em alguns países a violência espontânea e não organizada foi substituída por violência provocada pelos tais grupos organizados conhecidos por firmas. Estes grupos, sempre que possível, agem longe dos estádios (ou outros recintos desportivos) para que passem despercebidos e assim a polícia não os consiga localizar. A nível político, são conhecidas algumas ligações destes grupos com movimentos de extrema direita, especialmente na Europa de Leste e do Sul, mas, no entanto, estas ligações não são generalizáveis dado que alguns outros grupos foram já associados a movimentos de esquerda e anti-racistas. Recentemente, estes grupos tiveram maior visibilidade com o filme Green Street Hooligans (ao qual corresponde a imagem que acompanha este texto). Para mais informações consultem a investigação que a BBC realizou em 2002 sobre o fenómeno, acessível por aqui.

15 outubro 2006

MN em destaque no site Ultras Spirit












A foto-montagem que se encontra na página inicial do site do núcleo P2 está agora em destaque no site Ultras Spirit, que é dedicado ao movimento ultra a nível internacional. Visitem e aproveitem também para (re)ver as fotos da Mancha que lá se encontram, assim como de outros grupos.

Paços de Ferreira - Mágica Briosa



















Mais um quase! A primeira vitória voltou a estar tão próxima e escapou-nos nos últimos minutos de jogo. Ao contrário do esperado, a Académica entrou no jogo ao ataque e quase que surpreendia logo nos primeiros minutos. Sensivelmente a meio da primeira parte a nossa Briosa chegou ao golo para delírio de todos quantos se deslocaram de Coimbra e passou-se o intervalo a acreditar na vitória, que seria a primeira da época. Contudo, fez-se sentir a pressão sobre os árbitros típica dos estádios nortenhos e o Pavlovic acabou expulso por acumulação de amarelos. Ainda assim, os nossos rapazes de preto tentaram segurar a vantagem até ao fim mas a poucos minutos do apito final uma grande penalidade deitou tudo a perder. Consentido o empate, a Académica voltou ao ataque e até ganhou uma falta para livre perigoso junto à grande área contrária no último minuto de jogo mas, para espanto de todos, o jogo acabou mesmo sem o livre ser cobrado. Por todas estas incidências da partida, houve grande contestação dos jogadores e equipa técnica da Académica junto do árbitro no recolher aos balneários, de que resultou ainda a expulsão do Lino.
Na bancada norte do Estádio da Mata Real, a Mancha deu como sempre o seu apoio durante os 90 minutos e são de realçar os dois novos cânticos que provavelmente vão pegar bem. De Coimbra partiu um autocarro carregado de fé numa vitória mas chegou apenas com um empate na bagagem. Apesar disso foi uma boa presença com atitude tanto na bancada como no relvado. A próxima deslocação será a Leiria daqui a duas semanas, onde devemos marcar presença em bom número, como em épocas anteriores, mas antes disso temos um jogo para ganhar em casa contra o Desportivo das Aves que, dadas as circunstâncias, se revela de grande importância.

06 outubro 2006

Ainda o Bessa

Muitas vezes quem está na bancada a cantar não tem bem noção do efeito que se cria (ou não) no resto do estádio e por isso pode acontecer que a nossa ideia do apoio dado ao longo do jogo não corresponda à realidade. Mas no caso da deslocação ao Bessa aqui está a prova de que nos fizemos ouvir bem.

04 outubro 2006

Mágica Briosa - Nacional

O homem pediu um mês para meter a equipa a jogar e nos primeiros minutos de jogo até se viu alguma coisa, tal como já se tinha visto no Bessa, mas mais uma vez a defesa comprometeu e o descontrolo foi total. O que o homem não pediu foi para ver lenços brancos na bancada atrás de si e 25 minutos de silêncio na bancada à sua frente. É certo que a desilusão foi grande, como já havia sido nos outros jogos, mas é injusto não dar apoio nos momentos difíceis a quem já desde o princípio da época vem alertando para as dificuldades inerentes a uma pré-época atribulada, com bastantes jogadores novos e marcada por integrações tardias no grupo e lesões. De qualquer maneira, mesmo os mais pessimistas não contariam ter apenas um ponto em nove possíveis nos jogos em casa, ainda por cima contra adversários directos, mas, como bons sofredores que somos, vamos continuar a puxar por ela para ultrapassar esta crise de resultados e quem sabe se no final deste mês não estamos já numa posição mais confortável na tabela classificativa.
Tão preocupante como a passividade em campo dos nossos jogadores foi o que se viu no sector. No início até parecia que se ia cantar com mais garra e atitude, com a VG a contagiar o seu ânimo e energia ao resto do pessoal e com o golo a ajudar à festa, mas o sol foi amolecendo as gargantas ao longo do jogo e quando sofremos o terceiro golo a grande Mancha Negra de outrora mergulhou na vulgaridade daquilo a que corriqueiramente se chama claque. Se ali estivesse um verdadeiro e genuíno grupo ULTRA como o que, por exemplo, se deslocou ao Dragão na época passada, ninguém teria parado de cantar até ao último minuto e quanto pior fosse o resultado mais alto nos ouviriam puxar por ela. É por isso que a verdadeira Mancha Negra se revela apenas nos jogos fora, onde o todo é mais que a soma das partes. Já nos jogos em casa é ao contrário, o todo é bastante menos que a soma das partes.