
Marivoet, Salomé (2006) Euro 2004TM um evento global em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte. pp. 15-29 (excertos)
Os hooligans na sua versão casuals agem em gangs, por conseguinte sem uma organização explícita, embora a liderança seja exercida sobretudo na premeditação de actos de violência dirigidos à confrontação com grupos rivais (Armstrong 1998; Dunning 1999; Dunning e tal. 2002; Williams 2002; Bairner 2002; Dwertmann & Rigauer 2002). Contrariamente aos hooligans/casuals, os ultras encontram-se associados em organizações que são dirigidas por uma direcção representada por um líder máximo ou presidente. A confrontação entre ultras rivais é também usual sempre que não se encontram policiados, pois a cultura do desafio e do constrangimento moral para vingar a honra, encontra-se fortemente presente (Podaliri & Balestri 1998; Roumestan 1998; Hourcade 2002; Marivoet 1992abc, 1998a, 2002b).
No entanto, os ultras têm vindo a apresentar uma fraca envolvência nos campeonatos entre selecções nacionais, enquanto os hooligans/casuals apresentam uma maior tendência para transportarem o seu sentido de afiliação com os clubes para as suas selecções nacionais, e por isso a mobilizarem-se fortemente para o espaço das competições internacionais como os europeus e mundiais onde ganham maior visibilidade. A predisposição para a confrontação associada à procura do prestígio pessoal (adquirido nas façanhas da luta), mas também o desafio às forças de segurança regra geral percepcionadas como provocatórias, constituem feitos que seguramente sabem que terão expressão mundial dada a mediatização do espectáculo (Williams 1997; Bromberger 1997; Armstrong 1998).
É no entanto entre os ingleses, escoceses, holandeses e alemães pertencentes à subcultura hooligan/casual que as maiores rivalidades se estabelecem e também as semelhanças, como por exemplo a generalização do estilo ‘casual’ (Finn & Giulianotti 2000). Conotado com as roupas e acessórios de marca com que gostam de se ver associados (Armani, Stone Island, Burberrys, Ralph Loren, Lacoste entre outras), exibem-nas como símbolo de distinção. Segundo Dougie Brimson (2003) em Eurotrashed. The Rise and Rise of Europe’s Football Hooligans, o movimento casual terá sido criado pelo adeptos de Liverpool nos finais dos anos setenta, tendo-se generalizado na Grã-Bretanha o estilo de fashionable hooligan no início da década seguinte.
Apesar das diferenças entre as várias subculturas de adeptos no quadro europeu, a maioria dos autores que se têm vindo a debruçar sobre o fenómeno da violência no futebol, têm vindo a concordar que se encontra nos comportamentos mais ou menos tipificados e esperados, o estereótipo tradicional de masculinidade, que radica em última instância na associação da força física à virilidade e à honra na defesa das identidades pessoais e dos ‘territórios’ de pertença (físicos e simbólicos na acepção de Maffesoli). A transversalidade social na incorporação da cultura tradicional masculina ocidental, ainda que mais enraizada na cultura popular, poderá apresentar-se assim como um princípio explicativo da atracção que as subculturas do futebol exercem em indivíduos com alguma heterogeneidade sociocultural.
Os hooligans na sua versão casuals agem em gangs, por conseguinte sem uma organização explícita, embora a liderança seja exercida sobretudo na premeditação de actos de violência dirigidos à confrontação com grupos rivais (Armstrong 1998; Dunning 1999; Dunning e tal. 2002; Williams 2002; Bairner 2002; Dwertmann & Rigauer 2002). Contrariamente aos hooligans/casuals, os ultras encontram-se associados em organizações que são dirigidas por uma direcção representada por um líder máximo ou presidente. A confrontação entre ultras rivais é também usual sempre que não se encontram policiados, pois a cultura do desafio e do constrangimento moral para vingar a honra, encontra-se fortemente presente (Podaliri & Balestri 1998; Roumestan 1998; Hourcade 2002; Marivoet 1992abc, 1998a, 2002b).
No entanto, os ultras têm vindo a apresentar uma fraca envolvência nos campeonatos entre selecções nacionais, enquanto os hooligans/casuals apresentam uma maior tendência para transportarem o seu sentido de afiliação com os clubes para as suas selecções nacionais, e por isso a mobilizarem-se fortemente para o espaço das competições internacionais como os europeus e mundiais onde ganham maior visibilidade. A predisposição para a confrontação associada à procura do prestígio pessoal (adquirido nas façanhas da luta), mas também o desafio às forças de segurança regra geral percepcionadas como provocatórias, constituem feitos que seguramente sabem que terão expressão mundial dada a mediatização do espectáculo (Williams 1997; Bromberger 1997; Armstrong 1998).
É no entanto entre os ingleses, escoceses, holandeses e alemães pertencentes à subcultura hooligan/casual que as maiores rivalidades se estabelecem e também as semelhanças, como por exemplo a generalização do estilo ‘casual’ (Finn & Giulianotti 2000). Conotado com as roupas e acessórios de marca com que gostam de se ver associados (Armani, Stone Island, Burberrys, Ralph Loren, Lacoste entre outras), exibem-nas como símbolo de distinção. Segundo Dougie Brimson (2003) em Eurotrashed. The Rise and Rise of Europe’s Football Hooligans, o movimento casual terá sido criado pelo adeptos de Liverpool nos finais dos anos setenta, tendo-se generalizado na Grã-Bretanha o estilo de fashionable hooligan no início da década seguinte.
Apesar das diferenças entre as várias subculturas de adeptos no quadro europeu, a maioria dos autores que se têm vindo a debruçar sobre o fenómeno da violência no futebol, têm vindo a concordar que se encontra nos comportamentos mais ou menos tipificados e esperados, o estereótipo tradicional de masculinidade, que radica em última instância na associação da força física à virilidade e à honra na defesa das identidades pessoais e dos ‘territórios’ de pertença (físicos e simbólicos na acepção de Maffesoli). A transversalidade social na incorporação da cultura tradicional masculina ocidental, ainda que mais enraizada na cultura popular, poderá apresentar-se assim como um princípio explicativo da atracção que as subculturas do futebol exercem em indivíduos com alguma heterogeneidade sociocultural.
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