
É bem verdade que formação académica não significa boa educação e por vezes certos episódios são disso a prova evidente. Mas, começando pelo jogo, já se esperava uma tarde difícil para a nossa Briosa e cedo isso se confirmou dado que sofremos o primeiro golo logo nos primeiros minutos. Depois, com a eficácia adversária a cortar linhas de passe, a Académica não teve arte nem engenho para recuperar no marcador e o segundo golo veio acabar com quaisquer ilusões de pontuar pela primeira vez em casa nesta segunda volta da Liga. A nossa classificação actual não se alterou mas as escassas diferenças de pontos para as outras equipas são motivo de apreensão entre os adeptos. É assim natural que os mais optimistas revejam em baixa as suas expectativas e que os mais pessimistas comecem a fazer as já habituais contas, visando o também já habitual objectivo mínimo que é a manutenção. Parece que é mesmo este o nosso fado.
Na bancada, a entrada em campo das equipas ficou marcada pela coreografia a assinalar o aniversário da Mancha Negra que consistiu na exibição de quatro panais ao longo da bancada central, conforme ilustra a foto. Ficou a sensação de não haver um elemento inspirador da coreografia mas também se compreende que nem sempre é possível preparar material novo para tão breves momentos de visibilidade. Depois, nos primeiros minutos de jogo, o apoio esteve forte até ao primeiro golpe nas nossas aspirações. Apesar disso e do calor que se fazia sentir, o apoio continuou a fazer-se sentir a bom nível até ao segundo e derradeiro golpe. Nesse momento, a desilusão foi bem visível e as suas vítimas foram as mais inesperadas. As emoções têm destas coisas. Claro que no final foram audíveis bastantes assobios e apenas o capitão Pedro Roma se dignou a agradecer o apoio, o que motivou os únicos aplausos da bancada.
O prolongamento teve depois lugar junto à porta VIP do ECC. As razões do descontentamento eram obviamente a falta de produtividade da equipa e ainda todo o descrédito que esta direcção tem vindo a acumular. Infelizmente poucos sócios da AAC-OAF compareceram para exigir mais esforço e dedicação, o que só vem provar que os adeptos da Académica são, de forma geral, tolerantes demais e ainda que a própria Mancha Negra perdeu alguma força mobilizadora, disso se ressentindo a voz dos adeptos que actualmente não é tão ouvida e considerada. Para marcar posição, cedo se fez sentir a nossa insatisfação através de cânticos. O primeiro jogador a sair foi o Gyano, que saiu calmamente dado que os alvos da contestação eram o treinador e o presidente da direcção. Sem explicação foi o que se passou a seguir. Alguns poucos adeptos mais exaltados, sentindo-se provocados pelo facto de o Nestor ir a passar muito próximo, começaram com insultos, embora comedidos. O jogador, incomodado com a situação, resolveu responder, o que precipitou os acontecimentos e gerou a confusão, no meio da qual acabou por quase levar um pontapé (não lhe acertou porque se conseguiu desviar). Entretando, a situação acalmou e o jogador retomou o seu caminho por iniciativa de alguns adeptos mais conscientes. Foi este o único acontecimento a lamentar envolvendo os jogadores já que de seguida se apelou a todos para que tivessem noção que os jogadores se devem sentir sempre apoiados e que as responsabilidades tinham que ser exigidas apenas ao treinador e à direcção. Como quem não deve não teme, saíram ainda pela mesma porta o Joeano e o Pedro Roma, que foram os únicos a ser aplaudidos. Entretanto surge a manobra de diversão, na pessoa do presidente José Eduardo Simões, que deu tempo aos restantes jogadores e elementos da equipa técnica para sair por outra zona do estádio. Apresentando-se disponível para falar com os adeptos, foi repetindo sempre a mesma ideia: que eles é que sabem e que nós (adeptos) não percebemos nada de futebol. Claro que têm essa obrigação mas o que é certo é que os factos não apontam nesse sentido. Para agravar a situação, o presidente termina a sua "actuação" com uma saída lamentável. Vai ao bolso buscar o telemóvel e atende uma chamada, demonstrando assim uma enorme falta de respeito pelos seus consócios. Talvez fosse o sinal para deixar de nos entreter ou apenas a deixa de que precisava para se ir embora e nem teve a consideração de pedir licença. Resumindo numa palavra: vergonha!
Os adeptos da AAC-OAF têm, ao longo dos últimos anos, sido presenteados com mãos cheias de nada por isso todos temos o dever de exigir um novo rumo para esta Instituição. Para os verdadeiros ultras, o próximo destino é a Vila das Aves, onde às 15h00 de domingo, a nossa Académica joga o seu futuro e acreditem que temos que dar a volta, de uma forma ou outra.