20 setembro 2007

Tudo tem um fim

Este espaço sempre se dedicou a informar os sócios e simpatizantes da Mancha Negra mas é chegada a hora de deixar a outros esse papel.
O movimento ultra português encontra-se actualmente em profunda transformação e nem todos concordamos com as alterações que estão a ser introduzidas. Assim, cabe aos elementos que mais se identificam com este novo rumo, a continuação deste tipo de trabalho.
Acima de tudo, todos temos a Mágica Briosa no coração e esse sentimento estará sempre acima de quaisquer divergências de opinião.
O mundo ultra é simplesmente fantástico e será uma pena se deixar de existir tal como o conhecemos, mas os ideais de entrega a um grupo e a um emblema ficarão sempre!

Briosa até morrer!

Mancha Negra até morrer!

Euro 2004: um evento global em Portugal - excerto 5

Marivoet, Salomé (2006) Euro 2004TM um evento global em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte. pp. 15-29 (excertos)

Em Towards a global programme of research into fighting and disorder at football, Dunning, Murphy and Waddington (2002), reunindo as várias contribuições à edição de Fighting Fans, concluíram como princípios explicativos do fenómeno, o enorme significado do futebol para vida dos adeptos (raisons d’être), a perda de auto controlo advindo do forte envolvimento emocional e do elevado grau de excitação vivenciado, aliado às rivalidades e identidades veiculadas e sentidas por espaços masculinos com forte incorporação do “comportamento de luta patriarcal”, onde se encontram as formas culturais diferenciadas (como os “ ‘core football hooligans’ ou ‘ultra’ style ”). Também, as formas de violência manifestadas adquirem especificidades, sendo estas influenciadas pelas diferentes intervenções policiais. Referem ainda, que a enorme publicidade dos incidentes em torno do futebol tem vindo a atrair em maior ou menor proporção organizações extremistas (segundo a predominância destas ideologias nas diferentes sociedades), que aí encontram possibilidades de recrutamento e de expressão de comportamentos racistas, xenófobos e de nacionalismo exacerbado com forte pendor para o uso da violência.
As grandes ‘causas’ em torno das quais são construídas as rivalidades hostis que impelem os adeptos de futebol a confrontar-se, emergem dos contextos históricos das diferentes sociedades, podendo ser construídas em torno da afirmação de identidades nacionais ou da resistência a estas, nomeadamente desigualdades sociais, políticas, económicas, regionais, locais, e entre clubes, ou outras que possam assumir formas de exclusão, ou transportam oposições entre o tradicional e o moderno, segundo concluíram Armstrong e Giulianotti (2001), das várias contribuições à colectânea Constructing Social Identies: Exploring the Stuctured Relations of Football Rivalries.
Apesar das inúmeras contribuições à compreensão dos comportamentos associados à violência por parte dos adeptos de futebol pertencentes ou não às subculturas de adeptos associadas a comportamentos de violência, o fenómeno continua a suscitar forte polémica nos meios académicos e institucionais. A descontextualização da violência do fenómeno mais abrangente em que emerge, constitui em nosso entender um dos maiores obstáculos à sua compreensão. Também as abordagens produzidas pelos media, que tendem a associar os comportamentos dos adeptos protagonistas da violência a estados de insanidade mental causados ou não pelo excesso de álcool, rotulando-os de ‘energúmenos’, ‘escumalha’ ou ‘lunáticos’, ainda que captem o interesse de um largo público e assim criem senso comum, não deixam de encerrar fortes juízos de valor que nada contribuem para a explicação da realidade.
Mais elaboradas parecem ser as interpretações de alguns autores na explicação do fenómeno, que recorrem a abrangentes concepções teóricas, algumas delas de forte pendor teleológico, que apesar de fornecerem uma explicação do fenómeno acabam por assentar em frágeis pressupostos teóricos. Como defende Anthony Giddens (1985) em The Nation-State and Violence, a crença de que as ciências sociais poderiam controlar o destino das sociedades levou à construção de modelos utópicos de sociedade (“‘good society’ ”), que carecem de ser contextualizados (ou desconstruídos) através da análise crítica das realidades no contexto das mudanças em curso. De facto, se por um lado algumas destas interpretações têm feito ‘escola’, por outro têm acendido as mais vivas polémicas nos meios académicos.
Parece-nos no entanto, que alguns dos mais críticos não apresentam propostas alternativas, como por exemplo o antropólogo Gary Armstrong em Football Hooligans. Knowing the Score, ao defender que o “hooliganismo do futebol não pode ser realmente ‘explicado’, pois apenas pode ser descrito e avaliado” (1998: 21). Contudo, o autor sugere que a descrição do fenómeno necessita de ter em conta as dinâmicas ‘em jogo’, ou o drama presente na complexa contestação, e a sua construção nos específicos meios masculinos. As possibilidades de criação de risco e excitação em quotidianos que apresentam um elevado grau de rotina, onde se joga o desafio à ordem estabelecida, se sente orgulho por algo e ao mesmo tempo se provoca admiração, inveja e raiva, levam o autor a considerar que os “eventos à volta do hooliganismo” são “essencialmente narcísicos” (1998: 309).
Independentemente dos comportamentos mais ou mesmos esperados por parte dos adeptos das subculturas onde o uso da violência é frequente, e tendo em conta os históricos das rivalidades hostis, os contextos e formas de violência decorrem em grande medida do factor dinâmico colocado em marcha, nomeadamente a acção das forças policiais. Como tem vindo a ser concluído em estudos anteriores, como por exemplo de Clifford Stott et al. (2001) ‘Hooligans’ abroad? Inter-group dynamics, social identity and participation in collective ‘disorder’ at the 1998 World Cup Finals, e de Otto Adang e Christine Cuvelier (2001) Policing Euro 2000. International police co-operation, information management and police deployment, é da interacção das ‘forças presentes no terreno’, entendidas enquanto características dos adeptos, rivalidades e estratégias de intervenção das forças policiais, que em boa medida os conflitos sérios como a escalada de violência em multidão se operam.
(...)
Em síntese, através da análise da construção social que rodeia um grande evento desportivo, quisemos compreender o seu impacto ao nível dos envolvimentos produzidos em torno da afirmação de identidades nacionais e culturalmente diferenciais como se torna visível nas subculturas de adeptos associadas a práticas de violência. Pretendemos assim demonstrar, em que medida a interacção produzida entre as várias dimensões presentes na construção social de um grande evento desportivo, como foi o caso do Euro 2004, o transformam num espaço-tempo global de redefinição dos sentidos, valores e símbolos de afiliação nacional, contribuindo deste modo para a revalidação e enaltecimento do simbólico na promoção do sentido da existência humana constitutiva das sociedades culturalmente diferenciadas.
(...)
Como hipóteses teóricas de investigação, considerámos que as dimensões político-ideológica e ética que rodeiam o envolvimento das instâncias públicas, bem como a comercial e mediática produzidas na promoção do torneio, exercem fortes determinações nas manifestações de cidadania identitária que têm lugar nos grandes eventos de futebol, entendidos enquanto espaços-tempo globais. Considerámos ainda, que a natureza da violência associada aos comportamentos de adeptos se apresenta como uma manifestação do fenómeno de radicalização das potencialidades dos grandes eventos desportivos na expressão de identidades diferenciais no quadro global.

19 setembro 2007

Força FA

Tal como os grupos de apoio ao SLB, a Fúria Azul está contra esta absurda imposição de entrega de dados pessoais ao CNVD e não receia apoiar o seu Belenenses sem faixa ou sem bandeiras. Estão por isso de parabéns pela atitude e têm a minha solidariedade pessoal na luta contra esta forma de legalização. Esquecem-se os senhores que mandam no futebol que todos nós somos cidadãos portugueses já devidamente legalizados e que por isso não precisamos de mais legalizações. Também não precisamos que nos vão bater à porta de cada vez que houver um problema entre adeptos ao qual somos alheios. Se querem impor ordem no futebol português, comecem por baixar os preços dos bilhetes, por marcar os jogos apenas para sábados e domingos, por acabar com a corrupção e por aceitar os adeptos como parte do espectáculo. Este clima de intimidação apenas vai causar problemas mas pode ser que sirva para unir os grupos que não querem a legalização. Dessa união podia e devia resultar uma acção judicial de contestação à lei 16/2004 porque há artigos de constitucionalidade duvidosa. Deixo algumas transcrições da lei para reflexão.

Os pontos 3 e 4 são aplicados?

Artigo 6.º
Sistema de videovigilância
1 — O promotor do espectáculo desportivo no qual se realizem competições profissionais ou não profissionais consideradas de risco elevado, sejam nacionais ou internacionais, deve instalar um sistema de videovigilância que permita o controlo visual de todo o recinto, dotado de câmaras fixas ou móveis com gravação de imagem e som, as quais, no respeito pelos direitos e interesses constitucionalmente protegidos, devem possibilitar a protecção de pessoas e bens.
2 — A gravação de imagem e som, quando da ocorrência de um espectáculo desportivo, é obrigatória, desde a abertura até ao encerramento do recinto desportivo, devendo os respectivos registos ser conservados durante 90 dias, prazo findo o qual serão destruídos em caso de não utilização nos termos da legislação penal e processual penal aplicável.
3 — Nos lugares objecto de vigilância é obrigatória a afixação, em local bem visível, do seguinte aviso: «Para sua protecção este local encontra-se sob vigilância de um circuito fechado de televisão, procedendo-se à gravação de imagem e de som.»
4 — O aviso referido no número anterior deve, igualmente, ser acompanhado de simbologia adequada e, sempre que possível, estar traduzido em, pelo menos, uma língua estrangeira.

Porque é proibido aos adeptos ter uma bandeira de apoio à sua equipa?

Artigo 11.º
Condições de permanência dos espectadores no recinto desportivo
1 — São condições de permanência dos espectadores no recinto desportivo:
a) Não ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, de carácter racista ou xenófobo;
b) Não obstruir as vias de acesso e evacuação, especialmente as vias de emergência, sem prejuízo do uso das mesmas por pessoas com deficiência;
c) Não praticar actos violentos, que incitem à violência, ao racismo ou à xenofobia;
d) Não entoar cânticos racistas ou xenófobos;
e) Não aceder às áreas de acesso reservado ou não destinadas ao público;
f) Não circular de um sector para outro;
g) Não arremessar quaisquer objectos no interior do recinto desportivo;
h) Não utilizar material produtor de fogo de artifício, quaisquer outros engenhos pirotécnicos ou produtores de efeitos análogos;
i) Cumprir os regulamentos do recinto desportivo;
j) Observar as condições de segurança previstas no artigo anterior.
2 — O não cumprimento das condições previstas no número anterior, bem como nas alíneas a) a d) do n.o 1 do artigo 10.o, implica o afastamento imediato do recinto desportivo a efectuar pelas forças de segurança presentes no local, sem prejuízo de outras sanções eventualmente aplicáveis.

Para que querem os nossos dados pessoais?

Artigo 18.º
Apoio a grupos organizados de adeptos
1 — Aos promotores do espectáculo desportivo é lícito apoiar exclusivamente grupos organizados de adeptos através da concessão de facilidades de utilização ou cedência de instalações, apoio técnico, financeiro ou material, desde que esses grupos estejam constituídos como associações, nos termos gerais de direito, e registados como tal no CNVD.
2 — Os grupos organizados de adeptos devem possuir um registo organizado e actualizado dos seus filiados, com indicação dos elementos seguintes:
a) Nome;
b) Fotografia;
c) Filiação;
d) Número do bilhete de identidade;
e) Data de nascimento;
f) Estado civil;
g) Morada;
h) Profissão.
3 — O registo referido no número anterior deve ser depositado junto do respectivo promotor do espectáculo desportivo e do CNVD, actualizado anualmente e suspenso ou anulado no caso de grupos organizados de adeptos que não cumpram o disposto no presente artigo.
4 — Os promotores de espectáculos desportivos devem reservar, nos recintos desportivos que lhes estão afectos, uma ou mais áreas específicas para os indivíduos
enquadrados em grupos organizados de adeptos.
5 — Só é permitido o acesso e o ingresso nas áreas referidas no número anterior aos indivíduos portadores de um cartão especial emitido para o efeito pelo promotor do espectáculo desportivo.
6 — É expressamente proibido o apoio, por parte dos promotores do espectáculo desportivo, a grupos organizados de adeptos que adoptem sinais, símbolos e expressões que incitem à violência, ao racismo e à xenofobia ou a qualquer outra forma de discriminação.
7 — A concessão de facilidades de utilização ou cedência de instalações a grupos de adeptos que estejam constituídos como associações é da responsabilidade do promotor do espectáculo desportivo, cabendo-lhe, nesta medida, a respectiva fiscalização, a fim de assegurar que nelas não sejam depositados quaisquer objectos proibidos ou susceptíveis de possibilitar ou gerar actos de violência.
8 — O incumprimento do disposto no presente artigo implica para o promotor do espectáculo desportivo, enquanto as situações indicadas nos números anteriores se mantiverem, a impossibilidade de promover qualquer espectáculo desportivo.

A morada deve ser para mandar as multas por correio...

Artigo 23.º
Participação em rixa na deslocação para ou de espectáculo desportivo
Quem, quando da deslocação para ou de espectáculo desportivo, intervier ou tomar parte em rixa entre duas ou mais pessoas de que resulte:
a) Morte ou ofensa à integridade física dos contendores;
b) Risco de ofensa à integridade física ou perigo para terceiros; ou
c) Alarme ou inquietação entre a população;
é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa.

Responder a provocações...

Artigo 26.º
Tumultos
Quem, quando da ocorrência de um espectáculo desportivo, no interior do recinto desportivo, em qualquer momento, desde a abertura até ao encerramento do mesmo, actuar em grupo atentando contra a integridade física de terceiros, desse modo provocando reacções dos restantes espectadores e colocando em perigo a segurança
no interior do recinto desportivo, é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 500 dias.

A polémica base de dados...

Artigo 29.º
Base de dados
1 — Compete ao Instituto do Desporto de Portugal (IDP) criar e manter actualizada uma base de dados nacional que centralize os registos das pessoas sujeitas à medida de interdição de acesso ao recinto desportivo prevista nos artigos 27.o e 28.o da presente lei, devendo, para tanto, os tribunais comunicar ao IDP as decisões de aplicação da referida medida.
2 — A definição das finalidades e condições de acesso e utilização da base de dados referida no número anterior é objecto de diploma próprio.

Trabalho comunitário...

Artigo 30.º
Prestação de trabalho a favor da comunidade
Se ao agente dever ser aplicada pena de prisão em medida não superior a 1 ano, o tribunal substitui-a por prestação de trabalho a favor da comunidade, salvo oposição
daquele ou se se concluir que por este meio não se realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição, nos demais termos previstos no Código Penal e no Código de Processo Penal.

Acabam-se os megafones?

Artigo 31.º
Contra-ordenações
Constitui contra-ordenação, punida com coima, para efeitos do disposto na presente lei:
(...)
e) A utilização nos recintos desportivos de buzinas alimentadas por baterias, corrente eléctrica ou outras formas de energia, bem como quaisquer instrumentos produtores de ruídos instalados de forma fixa, com excepção da instalação sonora
do promotor do espectáculo desportivo;
f) A introdução e utilização de buzinas de ar ou de outros utensílios estridentes em recintos desportivos cobertos;
g) A introdução ou utilização de substâncias ou engenhos explosivos ou pirotécnicos ou objectos que produzam efeitos similares, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.

A polícia recebe comissão...

Artigo 35.º
Produto das coimas
1 — O produto das coimas reverte em:
a) 60% para o Estado;
b) 20% para a força de segurança que instruir o processo;
c) 20% para o IDP.

Fica à consideração de cada um se estas regras são ou não justas e quais as implicações futuras que terão para todos nós.

Referências: Armada Azul, FA Ajuda e FA Alentejo

Torneio 120 Anos Académica

Disputa-se em Coimbra este fim-de-semana o torneio 120 Anos Académica em basquetebol, que vai contar com a participação das equipas do Benfica, do Ginásio Figueirense e do Sangalhos, além da equipa anfitriã, a Associação Académica de Coimbra. Este torneio assinala não só os 120 anos da AAC mas também os 50 anos da secção de basquetebol e será sem dúvida uma competição interessante de acompanhar dado que as equipas convidadas jogam na Liga Profissional. A AAC está na Proliga, na qual na época passada se apurou para a segunda fase mas foi afastada pelo Guimarães na primeira eliminatória. Neste torneio, o primeiro jogo será entre a Académica e o Ginásio às 17h00 de sábado, no pavilhão multidesportos, e o vencedor irá jogar a final no domingo, também às 17h00. Seria muito bom ter a Mancha presente nestes jogos dado que a equipa da secção de basquetebol precisa do nosso apoio e o próprio pavilhão ajuda certamente a criar um ambiente espectacular. Basta ver os exemplos que nos chegam da Grécia, onde o basquetebol é tão ou mais popular que o futebol.

18 setembro 2007

Mentalidade













Imagem retirada do blogue
Velho Estilo Ultras

Voltando à discussão sobre a legalização dos grupos organizados de adeptos, é da mais elementar justiça realçar a atitude dos grupos de apoio ao SLB. A oposição destes grupos a esta pseudo-legalização, até agora pouco visível, assumiu recentemente outros contornos, com um assumido conflito aberto com os dirigentes do clube. Quando muito se fala de mentalidade ultra mas pouco se faz por ela, há que reconhecer que estes grupos estão a lutar pelos seus ideais, sem ceder à tentação de agarrar o isco de facilidades que foi lançado ao mundo ultra nacional. É uma ingenuidade pensar que esta lei foi feita a pensar em ajudar os adeptos e acreditar nisso irá conduzir todos os grupos nacionais a uma transformação de identidade. A maioria de todos nós parece não se importar em que isso aconteça porque o que quer mesmo é ter todas as condições para chegar aos estádios, ter bilhete e entrar para ver os jogos, mesmo que isso implique restrições, pelo menos para alguns. Esquece-se assim tudo aquilo que nos levou a admirar o movimento ultra. Talvez seja mesmo algo inevitável porque infelizmente os adeptos têm e vão continuar a ter cada vez menos voz. Por agora tudo nos parecerá normal mas o tempo não se esquecerá de nos lembrar que tudo mudou.
A direcção da Mancha Negra está apostada em avançar para a legalização e por isso deve ter todo o nosso apoio e solidariedade porque o espírito de 85 diz-nos que, para onde vai um, vão todos e todos assumem a responsabilidade do que possa vir a acontecer. No entanto, devemos todos ter opiniões construtivas sobre o assunto e manifestá-las no lugar certo: a sede, junto da direcção.

16 setembro 2007

Mágica Briosa - Paços de Ferreira


















Finalmente foi quebrado o jejum de vitórias em casa. Antes deste jogo, a Académica ainda não sabia o que era vencer no ECC neste ano de 2007 em jogos a contar para a Liga. É também apenas a segunda vitória em jogos oficiais dado que a primeira e última tinha sido com o Vitória de Setúbal para a Taça de Portugal já no início do ano. A primeira parte não teve grande emoção e as equipas pareciam querer estudar-se antes de começarem a aventurar-se em jogadas mais ofensivas. Já na segunda parte, o jogo abriu com jogadas pelas laterais a criarem mais perigo principalmente na baliza do Paços. Entretanto, já com Joeano, Cris e Hélder Barbosa em campo, a Académica melhorou no ataque e chegou ao golo numa excelente jogada do Hélder Barbosa que trouxe a bola desde trás e conseguiu rematar para dentro da baliza, quando já parecia que se ia perder mais uma oportunidade. Na bancada, a Mancha esteve em bom plano desde o início do jogo e naturalmente ganhou ainda mais força com o golo da vitória, que foi inclusivamente comemorado pelos jogadores junto ao nosso sector. Com este bom início do novo treinador, temos agora todas as razões para fazer uma grande deslocação ao Bessa, que é para muitos o estádio com melhores condições acústicas em Portugal.

Entrega total























Contra os All Blacks, foi um jogador que habitualmente também equipa de preto a concretizar o único ensaio da selecção portuguesa durante o jogo. Rui Cordeiro, jogador do râguebi da Académica, conseguiu colocar a bola dentro da área de validação da Nova Zelândia depois de uma série de formações ordenadas a um metro da linha. Este ensaio acabou assim por ser um prémio merecido para os jogadores portugueses que, mais uma vez, lutaram até ao fim. Sendo um momento marcante na vida de qualquer jogador de râguebi, o seleccionador nacional fez entrar em jogo todos os suplentes, proporcionando-lhes a oportunidade de defrontar os míticos All Blacks. Agora, segue-se a Itália, que será um bom adversário para apurar estratégias para depois tentar ganhar à Roménia, que está mais ao alcance de Portugal.

13 setembro 2007

As nossas modalidades

No rescaldo do jogo de Alvalade da selecção portuguesa de futebol, são inevitáveis algumas comparações com as selecções de outras modalidades, nomeadamente do râguebi, do basquetebol e do hóquei. No futebol, em certos jogos é difícil compreender como é que jogadores tão bem pagos, não só nos clubes mas também na selecção através de prémios de jogo, não se esforçam mais quando representam as cores nacionais. É claro que somos nós, comuns adeptos, a alimentar esta obsessão colectiva pelo futebol e talvez fosse diferente se as nossas atenções fossem mais repartidas pelas restantes modalidades. No caso do râguebi é sem dúvida mais complicado de acompanhar os jogos mas no basquetebol e no hóquei, sendo modalidades de pavilhão, seria relativamente fácil criar ambientes espectaculares no apoio aos jogadores. Basta ver um qualquer vídeo de um jogo de basquetebol na Grécia para perceber o enorme potencial desta e de outras modalidades para a afirmação de um grupo organizado de adeptos. É um facto que é o futebol que domina o desporto nacional mas é importante não esquecer as outras modalidades, que apenas ganham uma maior visibilidade nestas alturas de mundiais ou de europeus, quando se qualificam. Será que, por exemplo em Coimbra, não temos entusiastas destas modalidades suficientes para apoiar as respectivas equipas da AAC? No râguebi com uma faixa de incentivo nos jogos em casa, no basquetebol com algumas gargantas a puxar pela equipa e talvez também numa ou outra modalidade. Seria importante perceber isso, até porque nos pode estar a faltar apenas alguma organização.

09 setembro 2007

Visitem

Já se iniciou a renovação da página da Mancha Negra. Ainda há muito para fazer mas podem já começar a visitá-la diariamente. Sempre que possível vão sendo publicadas notícias do interesse de todos, algumas das quais apenas disponíveis para utilizadores registados, pelo que devem fazer o respectivo registo. Todas as ideias e sugestões também são bem-vindas.

Página Oficial da Mancha Negra

08 setembro 2007

Força Lobos

É já amanhã a tão esperada estreia da selecção portuguesa no Mundial de Râguebi a decorrer em França. Sendo a única selecção amadora em prova, é com grande satisfação que iremos ver os Lobos em acção contra a Escócia. Ontem, o primeiro jogo deste mundial acabou com uma fantástica vitória da Argentina sobre a selecção anfitriã e já hoje a selecção da Nova Zelândia, conhecida por All Blacks, desde cedo impôs a sua força contra a Itália. O resultado, bastante desnivelado, reflecte bem a supremacia desta equipa que está no primeiro lugar do ranking mundial e por isso o jogo contra os All Blacks deverá ser o momento alto da participação da nossa selecção neste mundial. Neste momento jogam Austrália e Japão mas estes não são uns japoneses quaisquer dado que são bem mais altos e fortes que os típicos turistas que às vezes vemos por aí de máquina fotográfica. Apesar disso, a Austrália não deixa de ser claramente favorita dada a sua tradição nesta modalidade.

07 setembro 2007

Legalização

Um tema na ordem do dia é sem dúvida a questão da legalização. Quando todos os grupos são empurrados para a constituição em associações de adeptos, parece não haver ninguém com vontade de resistir. Neste momento a postura vigente é a de obedecer à lei de forma a não perder regalias mas não passará tudo de uma grande ilusão? Que benefícios são esses? Os adeptos não podem ser impedidos de ir ao estádio, excepto se sobre eles recair uma ordem judicial nesse sentido, pelo que apenas se trata de ter mais ou menos facilidades logísticas ao longo da época. Por outro lado, teremos sem dúvida um controlo muito mais apertado e quem nos garante a confidencialidade dos nossos dados pessoais? Seria aliás interessante saber quantos grupos incluíram nos seus formulários de sócio as necessárias autorizações para a cedência de dados ao Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto. É também preciso ter em conta quem são as pessoas que estão a implementar esta legislação e nesse aspecto é bom lembrar que temos um presidente da Liga que diz não compreender porque é que os ultras insistem em assistir aos jogos de pé, tendo lugares sentados à disposição. Dito isto, temos todos que ter noção que o objectivo destes senhores é claramente acabar (ou transformar) os ultras. É isto que queremos? Apesar de tudo, o mais provável é esta discussão acabar por cair no esquecimento e quando os problemas começarem a surgir poderá já ser tarde, pelo que fica à consideração de cada um formar uma opinião fundamentada sobre o assunto e depois manifestá-la junto da direcção.
O velho espírito e a mentalidade ultra parecem assim atravessar uma crise de identidade. Talvez sejam conceitos obsoletos e ultrapassados no tempo para a maioria mas seria bom que alguém pudesse continuar a transmitir esses valores para as gerações mais novas. Por fim, uma questão: verdadeira mentalidade ultra não seria alguém ter tentado reunir todos os grupos nacionais para discutir esta questão tão importante? Assim, é cada um por si e quem vier atrás que feche a porta.

06 setembro 2007

Segundos decisivos


Agora que a Liga está parada para os jogos da selecção e numa altura em que nada nos motiva para falar da Académica, as nossas atenções acabam por se virar para outras modalidades. No Europeu de Basquetebol, a decorrer na vizinha Espanha, Portugal venceu o seu jogo contra a Letónia mas com uma margem de apenas 10 pontos quando precisava de ganhar por mais de 14 para se apurar para a fase seguinte. Assim, ficou à espera de uma (improvável) vitória da Croácia sobre a Espanha para poder continuar em prova. Quase no fim, a Croácia até estava a ganhar e a controlar o jogo mas uma série de quatro lançamentos triplos falhados fizeram com que a Espanha conseguisse passar para a frente do marcador. A vantagem confortável de 5 pontos parecia impossível de recuperar mas um triplo da Croácia voltou a trazer a incerteza ao resultado. Imediatamente o treinador croata pede um desconto de tempo e dá a estratégia do assalto final para ganhar o jogo. Reposição de bola na linha lateral para a Croácia com cerca de 40 segundos para jogar e um jogador croata consegue livrar-se da marcação e encestar um triplo a 3 segundos do fim. A Espanha, desorientada, ainda tentou lançar e ganhar a falta dentro da área mas não conseguiu. Portugal acabou por ser o mais beneficiado com este resultado dado que passou assim à segunda fase do Europeu, onde vai jogar com a Russia, Israel e a Grécia, que é a campeã em título. Já não bastava nos terem tirado o título europeu de futebol como ainda ganharam o mesmo título em basquetebol. Vamos então torcer por uma pequena vingança em basquetebol já que para o ano podemos não ter essa oportunidade em futebol.

18 agosto 2007

Sporting - Mágica Briosa

Para o início da Liga, o sorteio reservou-nos uma visita a Alvalade e apesar do mau momento da nossa equipa ainda se acreditava num bom resultado. De Coimbra partiu um autocarro e mais alguns carros particulares que se foram juntar a alguns outros adeptos já em Lisboa. Com o aproximar da hora do jogo, a equipa inicial deixou mesmo os mais optimistas algo apreensivos mas, após o apito inicial, os primeiros minutos de jogo deram alento a todos nós. Até parecia uma outra equipa a jogar naquele relvado, a meter em respeito o Sporting na sua própria casa. Mas pouco depois, de volta à realidade, sofremos o primeiro golo e ainda o segundo antes de terminar a primeira parte, com a nossa defesa a deixar passar quase tudo. Na segunda parte, de registar o golo de honra da Académica marcado pelo Gyano, sem deixar a bola cair no chão, após um cruzamento do Cris. No final, a frieza do resultado, 4-1, veio confirmar o mau início de época da Académica. Mais uma vez, como não podia deixar de ser, Manuel Machado teve as suas razões de queixa e mandou umas farpas para a direcção por causa dos jogadores que ainda não estão inscritos. Mais uma vez, assuntos que deviam ser tratados internamente são discutidos em público.

Fátima - Mágica Briosa


















Muitos jogadores novos, falta de atitude e pouca vontade de vencer, assim se caracterizou a pré-época da Académica. De qualquer forma, apesar da equipa pouco promissora, ninguém esperaria esta eliminação da Taça da Liga logo no primeiro jogo. Foi por isso com muito nervosismo que a partida se desenrolou a partir do golo do Fátima, ainda na primeira parte. A Briosa começou o jogo sem impor o seu modelo de jogo, o que de resto já é habitual com este treinador. Contra uma equipa de maior dimensão e de maior qualidade ainda se pode aceitar (embora seja discutível) que se procure adaptar o modelo de jogo ao adversário mas contra uma equipa modesta como o Fátima não se compreende como é que não é a Académica a procurar fazer o seu jogo em vez de jogar na expectativa do que o adversário vai fazer. É claro que as desculpas não tardaram em chegar, tal como aconteceu ao longo de toda a época passada. Certamente que a culpa não é só do treinador, da mesma forma que também não é só da direcção, mas precisamente por isso é que devia haver solidariedade mútua nas fases más como a que atravessamos. Os jogadores, bem ou mal escolhidos, são os que temos e não vale a pena passar para os ombros deles a responsabilidade. Se alguns têm falta de profissionalismo, então que sejam chamados à razão ou mesmo castigados até que mudem de atitude, como de resto acontece nas outras equipas. Assim, é ao treinador e à direcção que devem ser exigidas explicações mas quando o próprio treinador diz que não tem culpa nenhuma no que se está a passar é porque algo vai muito mal no seio da Académica. O presidente da direcção disse, na última Assembleia Geral, não querer cometer erros do passado e que por isso deixavam de ser os treinadores a escolher os jogadores, pelo que se este treinador não concorda com esta estratégia da direcção não devia sequer ter renovado o contrato. Evitaria assim passar esta péssima imagem de, quando tudo volta a correr mal, vir quase fazer-se de vítima, argumentando inclusivamente que apenas um dos jogadores contratados tinha sido indicado por si. Mas se o treinador não hesitou em passar a batata quente para a direcção, esta também rapidamente procurou desviar as atenções para os jogadores, tudo isto na praça pública, sem que ninguém consiga meter ordem na casa internamente. No final do jogo, foi mais uma vez a Mancha Negra a procurar ir tirar satisfações junto da equipa já que a generalidade dos sócios que se deslocou a Fátima para assistir ao jogo preferiu assobiar para o ar como se tudo estivesse bem. Nota positiva apenas para o Pedro Roma que, como capitão de equipa, não se escondeu e veio pedir alguma compreensão de forma a acalmar os ânimos mais exaltados.

31 julho 2007

Assim já gostamos mais - agora a sério























O mais recente reforço da Briosa é particularmente interessante não pelos seus atributos futebolísticos mas sim por vir muito bem acompanhado. Peralta, o médio uruguaio ontem confirmado na Académica para a próxima época, é casado com Nicole Dupont Giglio, que foi Miss Uruguai 2004. A Nicole tem agora 23 anos e diz que gosta de desenhar a própria roupa. Quando foi Miss, com 19 anos, estudava relações públicas mas também se interessava por psicologia. Hoje em dia, desconhece-se em que área trabalha mas é casada com um jogador de futebol... ora ainda bem!

Agradecemos a correcção ao nosso leitor atento que deixou um comentário a alertar para o erro. De facto, a Miss Paraguai não tem nada a ver mas a mulher do nosso jogador também não lhe fica atrás.

29 julho 2007

Euro 2004: um evento global em Portugal - excerto 4

Marivoet, Salomé (2006) Euro 2004TM um evento global em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte. pp. 15-29 (excertos)

Na realidade, a origem das duas subculturas de adeptos são bem distintas, e de alguma maneira explicam as diferentes formas de violência que encerram. Os hooligans surgiram na Inglaterra nos anos sessenta, entre gangs de skinheads onde predominava a street culture associada à rixa e à confrontação entre bairros rivais nas zonas urbanas mais desfavorecidas, enquanto o movimento ultra surgiu em Itália nos anos setenta, num contexto político de luta e crítica social, ligado a membros de organizações de extrema-esquerda envolvidos em lutas urbanas (“ultrà look like a metropolitan guerrillero”), e manifestações violentas em “oposição entre uma visão do mundo conservadora-clerical (que nalguns casos particulares poderá ser considerada quase pró-fascismo), e uma visão associada à esquerda comunista”, que se veio rapidamente a estender a membros de organizações da extrema-direita (Podaliri & Balestri 1998: 91/89). Começando por se estabelecer mais enquanto movimento no seio de adeptos de futebol, as subculturas hooligan/casual e ultra foram sofrendo alterações e ajustamentos, tendo a segunda recebido influência da primeira, em especial na imagem dura dada pelos skinhead hooligans, visível em algumas franjas dos grupos ultras nos anos oitenta, justamente quando estes estavam já a mudar para o estilo casual (Marivoet 1992ab).
Como uma enorme variedade de estudos têm vindo a concluir, as rivalidades entre grupos de ultras ou gangs de casuals encontram-se enraizadas em contextos culturais e históricos dos diferentes países, transportando em cada caso uma ‘história’ (de provocações sistemáticas e lutas), que parecem adquirir maior cristalização entre os grupos de adeptos que agem em colectivo. Também a presença de membros de extrema-direita associados a comportamentos de nacionalismo exacerbado, xenofobia e racismo, apesar de ser um facto que atravessa as duas subculturas, a sua maior ou menor presença radica em contextos culturais e históricos dos diferentes países.
O aprofundamento da diversidade de situações com que se reveste a violência no futebol enquanto problema social mundial, poderá constituir-se na realidade uma hipótese de trabalho a que Eric Dunning (1999) designou de fault-lines, no sentido de se alcançar uma mais abrangente compreensão do fenómeno. Como denominador comum da diversidade de leitmotiv para o estabelecimento de hostilidades violentas (entre adeptos das subculturas ou outros), parece no entanto radicar a estreita relação que se estabelece entre as potencialidades do futebol no veicular de identidades várias. As rivalidades hostis reproduzidas em torno do futebol, tanto se podem estabelecer no quadro internacional entre países (tanto maiores quanto a tradição nacionalista dos países e as relações históricas entre estes), como no quadro nacional ou regional ao darem expressão às ‘grandes causas’ que marcam as clivagens sociais das diferentes sociedades, e que podem ir desde a questão religiosa, racial, independentista, centro e periferia, Norte/Sul, etc.

Está quase

Tudo ao contrário


















Fracassou completamente a intenção de impedir o jogo-treino com o VSC. Na verdade, a hora para que o jogo foi alterado acabou por fazer com que muitos se atrasassem e levar assim a uma entrada tardia no Complexo Desportivo da Tocha. Além disso, mesmo que vontade houvesse para impedir o jogo, também o tipo de bancada não permitia aceder ao relvado, o que frustraria quaisquer tentativas de impedir o jogo. Assim, vamos ter que esperar pelo jogo oficial, a contar para a Liga, para de alguma forma manifestar o desagrado com toda esta situação. A assistir a este jogo esteve uma bancada quase cheia mas seria de esperar uma maior mobilização dos sócios da Mancha Negra. Parece que poucos se importaram com o jogo, o que foi de lamentar e nem o resultado ajudou a começar bem o dia.

11 julho 2007

Que ninguém falte

É na manhã do próximo sábado que se vai escrever mais uma página importante na história da nossa Académica. Apesar de ser só um jogo-treino, está em causa o respeito pelos valores e pela memória da Instituição e de muitos sócios que, antes de nós, sempre lutaram pela defesa da verdade. É lamentável que seja a nossa própria direcção a provocar esta situação mas, em última instância, são sempre os sócios a decidir o rumo da nossa Briosa e como tal todos temos que nos mobilizar para impedir este jogo sem qualquer sentido ou utilidade, que apenas iria contribuir para branquear um caso vergonhoso em que a Académica foi bastante prejudicada. Assim, a Mancha Negra apela a todos os seus sócios e simpatizantes para que se concentrem na sede pelas 9h de forma a irmos todos juntos ao Complexo Desportivo da Tocha manifestar a nossa oposição a este jogo-treino com o VSC. Chega de discursos politicamente correctos, chega de líricas superioridades morais, vamos de uma vez por todas assumir o enorme orgulho que temos na Mágica Briosa e impedir que o tempo apague o que jamais deve ser esquecido.

04 julho 2007

Orgulho