07 setembro 2007

Legalização

Um tema na ordem do dia é sem dúvida a questão da legalização. Quando todos os grupos são empurrados para a constituição em associações de adeptos, parece não haver ninguém com vontade de resistir. Neste momento a postura vigente é a de obedecer à lei de forma a não perder regalias mas não passará tudo de uma grande ilusão? Que benefícios são esses? Os adeptos não podem ser impedidos de ir ao estádio, excepto se sobre eles recair uma ordem judicial nesse sentido, pelo que apenas se trata de ter mais ou menos facilidades logísticas ao longo da época. Por outro lado, teremos sem dúvida um controlo muito mais apertado e quem nos garante a confidencialidade dos nossos dados pessoais? Seria aliás interessante saber quantos grupos incluíram nos seus formulários de sócio as necessárias autorizações para a cedência de dados ao Conselho Nacional Contra a Violência no Desporto. É também preciso ter em conta quem são as pessoas que estão a implementar esta legislação e nesse aspecto é bom lembrar que temos um presidente da Liga que diz não compreender porque é que os ultras insistem em assistir aos jogos de pé, tendo lugares sentados à disposição. Dito isto, temos todos que ter noção que o objectivo destes senhores é claramente acabar (ou transformar) os ultras. É isto que queremos? Apesar de tudo, o mais provável é esta discussão acabar por cair no esquecimento e quando os problemas começarem a surgir poderá já ser tarde, pelo que fica à consideração de cada um formar uma opinião fundamentada sobre o assunto e depois manifestá-la junto da direcção.
O velho espírito e a mentalidade ultra parecem assim atravessar uma crise de identidade. Talvez sejam conceitos obsoletos e ultrapassados no tempo para a maioria mas seria bom que alguém pudesse continuar a transmitir esses valores para as gerações mais novas. Por fim, uma questão: verdadeira mentalidade ultra não seria alguém ter tentado reunir todos os grupos nacionais para discutir esta questão tão importante? Assim, é cada um por si e quem vier atrás que feche a porta.

06 setembro 2007

Segundos decisivos


Agora que a Liga está parada para os jogos da selecção e numa altura em que nada nos motiva para falar da Académica, as nossas atenções acabam por se virar para outras modalidades. No Europeu de Basquetebol, a decorrer na vizinha Espanha, Portugal venceu o seu jogo contra a Letónia mas com uma margem de apenas 10 pontos quando precisava de ganhar por mais de 14 para se apurar para a fase seguinte. Assim, ficou à espera de uma (improvável) vitória da Croácia sobre a Espanha para poder continuar em prova. Quase no fim, a Croácia até estava a ganhar e a controlar o jogo mas uma série de quatro lançamentos triplos falhados fizeram com que a Espanha conseguisse passar para a frente do marcador. A vantagem confortável de 5 pontos parecia impossível de recuperar mas um triplo da Croácia voltou a trazer a incerteza ao resultado. Imediatamente o treinador croata pede um desconto de tempo e dá a estratégia do assalto final para ganhar o jogo. Reposição de bola na linha lateral para a Croácia com cerca de 40 segundos para jogar e um jogador croata consegue livrar-se da marcação e encestar um triplo a 3 segundos do fim. A Espanha, desorientada, ainda tentou lançar e ganhar a falta dentro da área mas não conseguiu. Portugal acabou por ser o mais beneficiado com este resultado dado que passou assim à segunda fase do Europeu, onde vai jogar com a Russia, Israel e a Grécia, que é a campeã em título. Já não bastava nos terem tirado o título europeu de futebol como ainda ganharam o mesmo título em basquetebol. Vamos então torcer por uma pequena vingança em basquetebol já que para o ano podemos não ter essa oportunidade em futebol.

18 agosto 2007

Sporting - Mágica Briosa

Para o início da Liga, o sorteio reservou-nos uma visita a Alvalade e apesar do mau momento da nossa equipa ainda se acreditava num bom resultado. De Coimbra partiu um autocarro e mais alguns carros particulares que se foram juntar a alguns outros adeptos já em Lisboa. Com o aproximar da hora do jogo, a equipa inicial deixou mesmo os mais optimistas algo apreensivos mas, após o apito inicial, os primeiros minutos de jogo deram alento a todos nós. Até parecia uma outra equipa a jogar naquele relvado, a meter em respeito o Sporting na sua própria casa. Mas pouco depois, de volta à realidade, sofremos o primeiro golo e ainda o segundo antes de terminar a primeira parte, com a nossa defesa a deixar passar quase tudo. Na segunda parte, de registar o golo de honra da Académica marcado pelo Gyano, sem deixar a bola cair no chão, após um cruzamento do Cris. No final, a frieza do resultado, 4-1, veio confirmar o mau início de época da Académica. Mais uma vez, como não podia deixar de ser, Manuel Machado teve as suas razões de queixa e mandou umas farpas para a direcção por causa dos jogadores que ainda não estão inscritos. Mais uma vez, assuntos que deviam ser tratados internamente são discutidos em público.

Fátima - Mágica Briosa


















Muitos jogadores novos, falta de atitude e pouca vontade de vencer, assim se caracterizou a pré-época da Académica. De qualquer forma, apesar da equipa pouco promissora, ninguém esperaria esta eliminação da Taça da Liga logo no primeiro jogo. Foi por isso com muito nervosismo que a partida se desenrolou a partir do golo do Fátima, ainda na primeira parte. A Briosa começou o jogo sem impor o seu modelo de jogo, o que de resto já é habitual com este treinador. Contra uma equipa de maior dimensão e de maior qualidade ainda se pode aceitar (embora seja discutível) que se procure adaptar o modelo de jogo ao adversário mas contra uma equipa modesta como o Fátima não se compreende como é que não é a Académica a procurar fazer o seu jogo em vez de jogar na expectativa do que o adversário vai fazer. É claro que as desculpas não tardaram em chegar, tal como aconteceu ao longo de toda a época passada. Certamente que a culpa não é só do treinador, da mesma forma que também não é só da direcção, mas precisamente por isso é que devia haver solidariedade mútua nas fases más como a que atravessamos. Os jogadores, bem ou mal escolhidos, são os que temos e não vale a pena passar para os ombros deles a responsabilidade. Se alguns têm falta de profissionalismo, então que sejam chamados à razão ou mesmo castigados até que mudem de atitude, como de resto acontece nas outras equipas. Assim, é ao treinador e à direcção que devem ser exigidas explicações mas quando o próprio treinador diz que não tem culpa nenhuma no que se está a passar é porque algo vai muito mal no seio da Académica. O presidente da direcção disse, na última Assembleia Geral, não querer cometer erros do passado e que por isso deixavam de ser os treinadores a escolher os jogadores, pelo que se este treinador não concorda com esta estratégia da direcção não devia sequer ter renovado o contrato. Evitaria assim passar esta péssima imagem de, quando tudo volta a correr mal, vir quase fazer-se de vítima, argumentando inclusivamente que apenas um dos jogadores contratados tinha sido indicado por si. Mas se o treinador não hesitou em passar a batata quente para a direcção, esta também rapidamente procurou desviar as atenções para os jogadores, tudo isto na praça pública, sem que ninguém consiga meter ordem na casa internamente. No final do jogo, foi mais uma vez a Mancha Negra a procurar ir tirar satisfações junto da equipa já que a generalidade dos sócios que se deslocou a Fátima para assistir ao jogo preferiu assobiar para o ar como se tudo estivesse bem. Nota positiva apenas para o Pedro Roma que, como capitão de equipa, não se escondeu e veio pedir alguma compreensão de forma a acalmar os ânimos mais exaltados.

31 julho 2007

Assim já gostamos mais - agora a sério























O mais recente reforço da Briosa é particularmente interessante não pelos seus atributos futebolísticos mas sim por vir muito bem acompanhado. Peralta, o médio uruguaio ontem confirmado na Académica para a próxima época, é casado com Nicole Dupont Giglio, que foi Miss Uruguai 2004. A Nicole tem agora 23 anos e diz que gosta de desenhar a própria roupa. Quando foi Miss, com 19 anos, estudava relações públicas mas também se interessava por psicologia. Hoje em dia, desconhece-se em que área trabalha mas é casada com um jogador de futebol... ora ainda bem!

Agradecemos a correcção ao nosso leitor atento que deixou um comentário a alertar para o erro. De facto, a Miss Paraguai não tem nada a ver mas a mulher do nosso jogador também não lhe fica atrás.

29 julho 2007

Euro 2004: um evento global em Portugal - excerto 4

Marivoet, Salomé (2006) Euro 2004TM um evento global em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte. pp. 15-29 (excertos)

Na realidade, a origem das duas subculturas de adeptos são bem distintas, e de alguma maneira explicam as diferentes formas de violência que encerram. Os hooligans surgiram na Inglaterra nos anos sessenta, entre gangs de skinheads onde predominava a street culture associada à rixa e à confrontação entre bairros rivais nas zonas urbanas mais desfavorecidas, enquanto o movimento ultra surgiu em Itália nos anos setenta, num contexto político de luta e crítica social, ligado a membros de organizações de extrema-esquerda envolvidos em lutas urbanas (“ultrà look like a metropolitan guerrillero”), e manifestações violentas em “oposição entre uma visão do mundo conservadora-clerical (que nalguns casos particulares poderá ser considerada quase pró-fascismo), e uma visão associada à esquerda comunista”, que se veio rapidamente a estender a membros de organizações da extrema-direita (Podaliri & Balestri 1998: 91/89). Começando por se estabelecer mais enquanto movimento no seio de adeptos de futebol, as subculturas hooligan/casual e ultra foram sofrendo alterações e ajustamentos, tendo a segunda recebido influência da primeira, em especial na imagem dura dada pelos skinhead hooligans, visível em algumas franjas dos grupos ultras nos anos oitenta, justamente quando estes estavam já a mudar para o estilo casual (Marivoet 1992ab).
Como uma enorme variedade de estudos têm vindo a concluir, as rivalidades entre grupos de ultras ou gangs de casuals encontram-se enraizadas em contextos culturais e históricos dos diferentes países, transportando em cada caso uma ‘história’ (de provocações sistemáticas e lutas), que parecem adquirir maior cristalização entre os grupos de adeptos que agem em colectivo. Também a presença de membros de extrema-direita associados a comportamentos de nacionalismo exacerbado, xenofobia e racismo, apesar de ser um facto que atravessa as duas subculturas, a sua maior ou menor presença radica em contextos culturais e históricos dos diferentes países.
O aprofundamento da diversidade de situações com que se reveste a violência no futebol enquanto problema social mundial, poderá constituir-se na realidade uma hipótese de trabalho a que Eric Dunning (1999) designou de fault-lines, no sentido de se alcançar uma mais abrangente compreensão do fenómeno. Como denominador comum da diversidade de leitmotiv para o estabelecimento de hostilidades violentas (entre adeptos das subculturas ou outros), parece no entanto radicar a estreita relação que se estabelece entre as potencialidades do futebol no veicular de identidades várias. As rivalidades hostis reproduzidas em torno do futebol, tanto se podem estabelecer no quadro internacional entre países (tanto maiores quanto a tradição nacionalista dos países e as relações históricas entre estes), como no quadro nacional ou regional ao darem expressão às ‘grandes causas’ que marcam as clivagens sociais das diferentes sociedades, e que podem ir desde a questão religiosa, racial, independentista, centro e periferia, Norte/Sul, etc.

Está quase

Tudo ao contrário


















Fracassou completamente a intenção de impedir o jogo-treino com o VSC. Na verdade, a hora para que o jogo foi alterado acabou por fazer com que muitos se atrasassem e levar assim a uma entrada tardia no Complexo Desportivo da Tocha. Além disso, mesmo que vontade houvesse para impedir o jogo, também o tipo de bancada não permitia aceder ao relvado, o que frustraria quaisquer tentativas de impedir o jogo. Assim, vamos ter que esperar pelo jogo oficial, a contar para a Liga, para de alguma forma manifestar o desagrado com toda esta situação. A assistir a este jogo esteve uma bancada quase cheia mas seria de esperar uma maior mobilização dos sócios da Mancha Negra. Parece que poucos se importaram com o jogo, o que foi de lamentar e nem o resultado ajudou a começar bem o dia.

11 julho 2007

Que ninguém falte

É na manhã do próximo sábado que se vai escrever mais uma página importante na história da nossa Académica. Apesar de ser só um jogo-treino, está em causa o respeito pelos valores e pela memória da Instituição e de muitos sócios que, antes de nós, sempre lutaram pela defesa da verdade. É lamentável que seja a nossa própria direcção a provocar esta situação mas, em última instância, são sempre os sócios a decidir o rumo da nossa Briosa e como tal todos temos que nos mobilizar para impedir este jogo sem qualquer sentido ou utilidade, que apenas iria contribuir para branquear um caso vergonhoso em que a Académica foi bastante prejudicada. Assim, a Mancha Negra apela a todos os seus sócios e simpatizantes para que se concentrem na sede pelas 9h de forma a irmos todos juntos ao Complexo Desportivo da Tocha manifestar a nossa oposição a este jogo-treino com o VSC. Chega de discursos politicamente correctos, chega de líricas superioridades morais, vamos de uma vez por todas assumir o enorme orgulho que temos na Mágica Briosa e impedir que o tempo apague o que jamais deve ser esquecido.

04 julho 2007

Orgulho